Stock Car

Em tom de despedida, Di Grassi diz que “é improvável” seguir na Stock Car em 2019: “Vou focar 100% na FE”

A tendência é que Lucas Di Grassi não fique na Stock Car em 2019. O piloto fez um balanço bastante positivo do seu primeiro ano na categoria: “Espero voltar no futuro e disputar o campeonato focado, dedicado, porque a gente teria uma boa chance”
Warm Up, de Goiânia / FERNANDO SILVA, de Goiânia
 Lucas Di Grassi (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)

O grid da Stock Car está perto de sofrer uma grande baixa para a próxima temporada. Lucas Di Grassi, um dos grandes destaques de 2018 com três vitórias — sendo o estreante com mais número de triunfos desde Cacá Bueno, em 2002 — falou ao GRANDE PRÊMIO no fim de semana da etapa de Goiânia, no último domingo (4), que é pouco provável seguir de forma integral no grid da principal categoria do automobilismo brasileiro no ano que vem. O piloto da Hero na Stock Car e da Audi na FE lembrou que a classe dos carros elétricos vai exigir ainda mais foco e preparo na quinta temporada — marcada para começar em 15 de dezembro, na Arábia Saudita. 
 
 
Só que Lucas conseguiu uma recuperação incrível de março — dias depois da abertura da etapa da Stock Car — em diante com pódios consecutivos desde etapa de Punta del Este até o fim do campeonato, venceu em Zurique e a primeira corrida em Nova York, terminou como vice-campeão e ajudou a Audi a finalizar a disputa como a campeã entre as equipes.
Lucas Di Grassi foi um dos grandes nomes da temporada 2018 da Stock Car (Foto: Fernanda Freixosa/Stock Car/Vipcomm)
Uma vez que o nível de exigência da FE é cada vez maior, seja com a entrada da BMW como equipe de fábrica, da HWA, braço da Mercedes, e a vinda de pilotos importantes como Felipe Massa, Pascal Wehrlein e Stoffel Vandoorne, Di Grassi entende que trata-se de um desafio ainda maior para manter a Audi como a grande força da categoria. Por isso o foco total na categoria dos carros elétricos para seu quinto ciclo.
 
Assim, Lucas já fala em clima de despedida da Stock Car. “A situação no momento é que é muito improvável que eu faça o campeonato inteiro. A FE requer muito mais dedicação do piloto, tanto sobre os eventos de pista como também no simulador, preparação, reuniões, e também para a área de mídia, marketing. É muito intenso”, destacou.
 
O piloto recordou também o período em que a Stock Car teve quatro etapas num espaço de oito finais de semana, com intervalo de 15 dias entre cada uma delas. Nesse tempo, Di Grassi também disputou os ePs de Roma e Paris. Até que houve o conflito de datas entre as etapas de Santa Cruz do Sul da Stock Car e do eP de Berlim da FE. 
Lucas Di Grassi prega foco total na FE na disputa da quinta temporada, a partir de dezembro (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Di Grassi até cogitou disputar a corrida na Alemanha e voltar ao Brasil para fazer a rodada dupla no interior gaúcho, mas alegou que era preciso fazer o trabalho bem feito. Por isso, seguiu na Europa. Lucas também ficou fora da rodada dupla de Londrina, em outubro, em razão da sua presença nos testes de pré-temporada no circuito de Valência.
 
“Essa viagem entre Brasil e Europa, o que aconteceu entre abril e maio neste ano: foram seis finais de semana de vai e volta, vai e volta... então você acaba um pouco confundindo os campeonatos, não do ponto de vista de guiar, mas às vezes você acaba perdendo nos detalhes. Então é melhor focar num campeonato, e vou focar de novo 100% na FE”, disse Lucas.
 
No fim das contas, na esteira de ter feito sua melhor corrida na categoria, saindo dos boxes para chegar em quarto lugar na segunda prova em Goiânia, Di Grassi mostra muita satisfação com seu desempenho na Stock Car. E não descartou a possibilidade para voltar no futuro. 
 
“Foi minha primeira temporada na Stock Car. Não foi uma temporada completa, vou fazer dez de 12 etapas. Me dei muito bem, gostei muito. Primeiro ano da equipe, então foi um aprendizado da equipe, um aprendizado meu. Acho que daria para brigar pelo campeonato. Um clima [dentro da equipe] muito bom, o meu companheiro de equipe — Bruno Baptista — evoluiu bastante também durante o ano”, avaliou.
 
“Temos também boas referências do Daniel e do Max na equipe A, e nós dois aqui na equipe B do ‘Meinha’ [Rosinei Campos]... Três vitórias no ano de estreia, recorde de vitórias num ano de estreia desde o Cacá Bueno em 2002. Então, ter vencido tantas provas, mesmo tendo má sorte — o carro quebrou em algumas etapas — e ter ficado fora de algumas etapas, mesmo focando na FE, foram resultados muito bons. Estou muito satisfeito e espero voltar no futuro à Stock Car e disputar o campeonato focado, dedicado, porque acho que a gente teria uma boa chance”, complementou Lucas Di Grassi.