Rali

Sainz vence sétima etapa em Uyuni, aproveita acidente com Peterhansel e assume liderança do Rali Dakar

Stéphane Peterhansel parecia intransponível e caminhava firme rumo a uma incrível 14ª vitória no Rali Dakar. Mas um problema na suspensão e amortecedor de uma das rodas no km 129 da especial entre La Paz em Uyuni praticamente colocou tudo a perder. Carlos Sainz, além de novo líder, agora é o grande favorito à vitória naquela que tende a ser sua despedida do maior rali do mundo
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Estado do carro de Peterhansel após se chocar contra uma pedra neste sábado (Foto: Toma TV/Divulgação)
7ª ETAPA | 13 de janeiro
La Paz (BOL) – Uyuni (BOL)
Trecho cronometrado (carros e SxS): 425 km
Trecho cronometrado (caminhões): 368
Percurso total (carros e SxS): 726 km
Percurso total (caminhões): 669 km 
 
Em uma prova tão grandiosa e ao mesmo tempo tão traiçoeira como o Rali Dakar, nem mesmo o maior nome da história da competição está imune. Neste sábado (13), Stéphane Peterhansel largou para a sétima especial da edição de 2018 e liderou os primeiros quilômetros do trecho cronometrado entre La Paz e Uyuni. Mas o francês, que corre ao lado de Jean-Paul Cottret, bateu forte contra uma pedra e danificou o conjunto de suspensão, amortecedor e uma das rodas do seu Peugeot 3008 DKR. 
 
Pior para o francês é que o ocorrido aconteceu em uma etapa Maratona, na qual os competidores não podem contar com o auxílio de uma equipe de apoio. O azar de Peterhansel foi a sorte de Carlos Sainz, vencedor da sétima especial e agora também novo líder da competição dos carros no Dakar.
Carlos Sainz caminha para a liderança geral do Dakar após problemas com Peterhansel (Foto: Dakar/Twitter)
O problema com o Peugeot do ‘Monsieur Dakar’ aconteceu no km 129 de um total de 425 km de especial neste sábado. Sem o auxílio das equipes de apoio, Peterhansel teve de esperar a chegada de Cyril Despres. Sem chances de vitória em razão de problemas sofridos na terceira especial, Despres trabalhou como mochileiro de Peterhansel, carregando peças em casos de necessidade, como foi hoje.
 
Peterhansel e Cottret conseguiram voltar à prova, mas perderam 1h43min parados no trecho, retomando a especial em 24º lugar no quarto waypoint. Ao menos no campo teórico, Stéphane ainda segue na briga pela vitória, até porque ainda tem muito rali pela frente, com mais sete especiais. 
Estado do carro de Peterhansel após se chocar contra uma pedra neste sábado (Foto: Toma TV/Divulgação)
Porém, agora com uma desvantagem bastante considerável, de mais de uma hora, para seu companheiro de equipe, Sainz. E também resta saber em quais condições vai chegar seu carro ao acampamento em Uyuni e ver se haverá possibilidade de dar sequência à prova neste domingo. Como se trata da segunda ‘perna’ da etapa Maratona, as chances são mínimas.
 
‘El Matador’ venceu a especial entre La Paz e Uyuni, com Giniel de Villiers e Nasser Al-Attiyah, outros dois campeões do Dakar com a Volkswagen, terminando em segundo e terceiro, respectivamente, com a Toyota. Nos últimos waypoints, Jakub ‘Kuba’ Przygonski, que voltou a fazer uma boa especial com o Mini da equipe alemã X-Raid, aparecia numa ótima quarta posição, enquanto o tcheco Martin Prokop, piloto também do WRC, fechava o rol dos cinco primeiros com seu Ford.

Sainz completou o trecho cronometrado em 2h41min38s. De Villiers passou 12min05s atrás, enquanto Nasser concluiu o percurso com 14min19s de atraso para o espanhol. Assim, de acordo com os primeiros tempos divulgados pela cronometragem oficial do Rali Dakar, Sainz lidera com tempo total de prova em 21h41min38s. A diferença para Al-Attiyah é bastante tranquila, de 1h11min29s. Por sua vez,De Villiers está 9min atrás do seu companheiro de equipe na Toyota.

Leonel Álvarez, argentino que compete com um Toyota Hilux, foi o sexto colocado, à frente de Bernhard Ten Brinke. Khalid Al Qassimi, dos Emirados Árabes, levou seu Peugeot privado à oitava colocação, com o chileno Boris Garafulic, da Mini, e o holandês Peter Van Merksteijn em décimo. Peterhansel chegou à zona de meta em 15º, com atraso de 1h47min56s para Sainz.
 
Diante de tudo o que foi o sábado, o estrago poderia ter sido muito maior para Peterhansel. Depois de fechar a especial, o francês se viu em terceiro lugar no geral, superando De Villiers. Agora, o ‘Monsieur Dakar’ está a 1h20min46s de Sainz, 8s à frente de De Villiers e pouco mais de 8min atrás de Al-Attiyah.
 
 
Vitória holandesa nos ‘brutos’. E Nikolaev continua soberano
 
A especial dos caminhões entre La Paz e Uyuni foi um pouco mais curta em relação a carros, motos e quadriciclos. Contudo, nem por isso foi menos exigente com a chuva, a lama e o frio ao longo do percurso em solo boliviano. Nos tempos, a Iveco fez dobradinha com o holandês Ton Van Genugten liderando a especial com a tripulação do caminhão #509 após 4h10min40s. Em segundo ficou o conjunto argentino comandado pelo piloto Federico ‘Coyote’ Villagra, que fechou a prova com apenas 2min01s de atraso em relação ao companheiro de equipe.
 
Na terceira posição, apareceu o líder geral da prova nos ‘brutos’, Eduard Nikolaev, que colocou o caminhão #500 da Kamaz somente a 4min54s do tempo do vencedor da especial em Uyuni. Os tchecos Martin Kolomy e Martin Macik fecharam a lista dos cinco primeiros colocados.
 
Na classificação geral, pouca coisa mudou na lista dos cinco primeiros colocados, uma vez que a diferença entre eles foi relativamente pequena nesta especial. Nikolaev segue mantendo uma vantagem confortável, embora Villagra diminuiu um pouco a diferença, agora em 49min47s. Siarhei Viazovich se mantém em terceiro depois de finalizar o dia em sexto lugar, enquanto Martin Macik e Van Genugten, que ganhou o quinto lugar de Airat Mardeev, da Kamaz, aparecem logo em seguida.
Varela e Gugelmin ampliaram a vantagem na liderança dos SxS (Foto: Daniel Halac/photosdakar.com)
Brasil mais líder que nunca nos SxS
 
Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin continuam brilhando no Rali Dakar 2018. Ao longo do percurso cronometrado deste sábado, a dupla brasileira da Can-Am completou o percurso em 5h49min31s. Vantagem de 31min32s para Patrice Garrouste e o navegador suíço Steven Griener. Já os peruanos Juan Carlos Uribe Ramos e Javier Uribe Godoy finalizaram a prova em terceiro, distantes 55min29s dos brasileiros.
 
Na classificação geral, mesmo com a punição sofrida em 12min, Varela e Gugelmin abriram uma vantagem confortável sobre os vice-líderes, Uribe Ramos e Godoy: 1h15min36s. Já a dupla franco-suíça da Polaris surge em terceiro e tem 1h43min45s de atraso.
 
Os também brasileiros José Sawaya e Marcelo Haseyama fecham a lista dos UTVs que ainda estão na prova, em sétimo lugar na classificação geral.