F2

Trident revela que Ferrucci insistiu para ter lema de Trump no carro. E era o menor dos problemas

Santino Ferrucci guiou um monoposto enquanto mexia no telefone, bateu no companheiro de equipe de propósito e não apareceu na investigação dos comissários. Por isso, acabou suspenso pelas próximas quatro corridas da temporada. Mas, além disso, queria carregar em seu carro a frase eleitoral adotada pelo presidente de extrema-direita norte-americano Donald Trump
Warm Up / Redação GP, do Rio de Janeiro
 Santino Ferrucci, com a Haas, durante o segundo dia de testes em Hungaroring (Foto: Haas)

A situação nos bastidores da equipe Trident, da F2, é de extremo desconforto. As atitudes que custaram um banimento das próximas quatro corridas para Santino Ferrucci não foram as únicas dores de cabeça que ele e sua família causaram ao time na Inglaterra. A família Ferrucci insistiu para que uma frase de apoio ao presidente norte-americano Donald Trump fosse estampada no carro durante as duas corridas em Silverstone.
 
A confirmação foi dada pelo chefe da Trident, Maurizio Salvadori, que descreveu as tentativas dos Ferrucci como "insistentes". Salvadori confirmou que recebeu o pedido para que a frase 'Make America great again' - algo como 'torne os Estados Unidos grandes novamente' -, um slogan eleitoral de Trump, fosse colocado no carro. 
 
O chefe explicou que manifestações políticas são proibidas pela FIA, mas a insistência foi tamanha que ele entrou em contato com o órgão máximo do automobilismo para saber a opinião que tinha. A ideia, como esperado, foi derrubada.
 
"Todo mundo no campo do esporte a motor sabe que é proibido carregar publicidade de natureza política. Quando eu fui abordado com o pedido da família Ferrucci, tentei explicar a impossibilidade de atender essa demanda. Com a insistência deles, pedi uma opinião por escrito da FIA que, uma vez que recebi, mandei para eles", disse o chefe ao site norte-americano 'Jalopnik'.
 
A resposta enviada pela FIA à Trident e repassada para os Ferrucci foi colocada na internet. Estava lá a explicação de que, de acordo com o regulamento esportivo da FIA, colocar o slogan eleitoral no carro ia de encontro ao o Artigo 10.6.2, segundo o qual "não há permissão para gravar nos carros publicidade de cunho político ou religioso e que seja prejudicial aos interesses da FIA".
Santino Ferrucci e Arjun Maini (Foto: FIA F2)
Para Salvadori, a divulgação do e-mail é uma demonstração de comportamento preocupante da família Ferrucci.
 
"O fato dessa carta estar circulando hoje nas redes sociais parece, ao menos para mim, uma tentativa atrapalhada de tirar a atenção do problema principal, que é o comportamento de Santino e seu pai dentro e fora da pista nas corridas do último fim de semana", falou.
 
Como equipe, a Trident falou que tem intenção de mostrar a Arjun Maini e sua família "solidariedade e suporte pela conduta antiesportiva e não civilizada com a qual ele foi forçado a viver no fim de semana passado por meio [das atitudes] de Santino Ferrucci e seu pai, que o estava acompanhando". O que a equipe não fez foi especificar qual foi o comportamento em questão envolvendo a família de Ferrucci - e o lema de Trump era "o menor dos problemas".
 
Na pista, Santino bateu no companheiro de equipe, Maini, propositalmente e tirou o rival da pista. Além disso, Ferrucci guiou do pit-lane ao grid com luva em apenas uma das mãos e o telefone celular na outra. É por isso que ele foi suspenso e não vai participar das etapas da Hungria e Bélgica, apesar de ter publicado um pedido de desculpa