F2

Retrospectiva 2018: F2 tem safra altamente talentosa e pilotos brasileiros são campeões na Europa

A temporada 2018 contou com uma enormidade de talento na F2: poucas vezes na história recente da principal categoria-satélite da F1 uma trinca de pilotos apareceu tão pronta para dar o passo adiante para o Mundial. Sérgio Sette Câmara também avançou como piloto e descolou até um lugar na F1, como piloto de testes e desenvolvimento. O Brasil não teve ninguém na F1, mas contou com os campeões da Euroformula, da F4 Italiana e da F4 Francesa

Warm Up / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro / GABRIEL CURTY, de São Paulo
O ano de 2018 foi o primeiro em décadas sem que um piloto brasileiro aparecesse no grid da F1, mas outros pilotos do Brasil viveram momentos importantes durante a temporada na Europa. Na F2, despontou a geração mais talentosa dos últimos anos, enquanto a GP3 saiu de cena para dar lugar a uma nova F3.

F2 e sua turma do barulho

Como medir uma excelente safra? O que define uma grande geração de pilotos que passam por qualquer categoria-satélite é o tempo: quem dentre aqueles nomes vai se tornar um piloto de renome em alguns anos nos maiores quadros do automobilismo. Mas certos casos são mais claros, mais simples para realizar um diagnóstico ao menos inicial. É o caso da F2 na temporada 2018.
 
E não apenas porque concentrou todos os nomes jovens de partida para a F1, diferente de anos passados, quando F3 Euro e a finada World Series serviram de sustentação para que jovens pilotos fossem elevados à F1. Os três primeiros colocados do campeonato de 2018 estarão no grid da F1 em 2019, e nenhum deles como piloto pagante. Todos com o crivo dos programas estabelecidos por algumas das maiores marcas da F1.
 
Um deles é o campeão George Russell, que tem a carreira administrada pela Mercedes e vai estrear pela Williams; o segundo colocado, Lando Norris, é uma jóia da McLaren e parte para a F1 direto no lendário time inglês; por fim, Alexander Albon não foi tutelado pela Red Bull por toda infância, mas na hora em que a corda apertou no pescoço e faltou um piloto em melhores condições a quem entregar o assento na Toro Rosso, foi ele o escolhido.
 
O campeonato ficou dividido claramente em duas partes: uma em que Norris pintou como favorito ao título e outra em que Russell tomou os cenários de assalto e caminhou para uma conquista até que com bastante sobra. 
 
A Carlin começou a temporada com mais estabilidade e permitindo uma consistência que a ART com Russell e Dams com Albon não replicavam. das primeiras 11 corridas do campeonato - as etapas do Bahrein, Azerbaijão, Espanha, Mônaco, França e a primeira corrida na Áustria -, Norris pontuou em dez, todas dentro do top-6. Venceu uma só contra três de Russell, mas foi ao pódio cinco vezes.
Lando Norris, Alexander Albon e George Russell (Foto: F2)
A partir da segunda corrida na Áustria, a Carlin começou a fraquejar. Não tinha mais o melhor ritmo e ainda cometi erros que a ART parou de cometer erros. Russell tomou o campeonato de assalto: foram quatro vitórias e outros quatro pódios nas últimas 12 corridas. Apenas uma vez não pontuou.
 
Albon também disparou e somou mais três vitórias na segunda metade da temporada - vencera uma vez antes. Chegou a ultrapassar Norris e ficou perto do vice-campeonato, mas uma etapa problemática em Abu Dhabi permitiu que o inglês se recuperasse. 
 
A temporada foi marcada também pelas mudanças estruturais. Com novos chassis desenvolvidos pela Dallara e motor V6 turbo padrão projetado pela Mecachrome, os problemas mecânicos foram um fator durante todo o ano. O momento mais marcante foi quando Arjun Maini começou a berrar quase que aos prantos no rádio da Trident no fim da etapa da França.

"Eu juro que vocês não me ajudam em nada", o recado era endereçado não ao time, mas à F2. "Eu faço tudo em todos os testes. Vocês não podem fazer isso comigo. Eu nem quero mais correr nesse campeonato. Que se foda", falou o frustrado piloto indiano, que tem conexões com a Haas. Depois explicou que teve uma deficiência grave de potência durante todo aquele fim de semana. 
 
Maini ainda foi envolvido em outro momento importante da temporada, onde foi coadjuvante. Na Inglaterra, Santino Ferrucci, companheiro de Maini na Trident, acertou o parceiro deliberadamente após o fim da corrida. Não apenas isso: o norte-americano foi chamado pelos comissários, mas não apareceu. Simplesmente foi embora.
 
Ferrucci, que inicialmente pareceu inclinado a não se desculpar, lançou um comunicado pedindo desculpas após alguns dias, mas acabou suspenso por duas corridas. Na sequência, foi demitido pela Trident, que também estava irritada pelos atrasos de pagamento do piloto ao time mesmo enquanto descolava verba para correr pela Indy.
Sérgio Sette Câmara vai correr pela DAMS em 2019 (Foto: James Gasperotti)
O crescimento de Sette Câmara
 
Sérgio Sette Câmara foi outro que estreou em equipe grande e teve bons momentos. É verdade que sofreu com alguma inconstância também da Carlin no período em que a equipe ia bem. Uma desclassificação em Baku por terminar a corrida sem o suficiente no tanque de combustível para a inspeção, um erro de matemática da equipe, custou o segundo lugar. E em Mônaco foi uma batida que causou fratura no pulso e ausência nas duas corridas do Principado. 
 
Mesmo assim, o campeonato teve seus pontos positivos. Sette Câmara foi a oito pódios e pontuou em 15 das 21 provas em que participou e não foi desclassificado.
 
No fim do campeonato, a sexta colocação, suficiente chamar a atenção da McLaren. Ele foi contratado para ser piloto de desenvolvimento e testes da equipe da F1 em 2019, também pelo bom relacionamento com Norris. Terminou a temporada fechado com a DAMS para o terceiro ano na F2, que começa como um dos favoritos às vitórias.
Felipe Drugovich é campeão da Euroformula Open (Foto: Reprodução/Twitter)
Os pilotos brasileiros de sucesso pela Europa
 
Além de Sette Câmara, outro brasileiro que esteve sob os holofotes na temporada 2018 foi Pedro Piquet, que disputou seu primeiro campeonato na GP3. Com duas vitórias no ano, Piquet foi um dos bons destaques do grid e fechou 2018 na sexta colocação com 106 pontos anotados.
 
No total, foram quatro pódios e pontos em 11 das 18 corridas, ainda que a reta final não tenha sido das melhores. De toda forma, Pedro foi o melhor piloto da equipe Trident na classificação geral e se credenciou a subir para a F2 já em 2019.
 
Outros três brasileiros se destacaram em categorias de monopostos na Europa e acabaram 2018 com títulos. Possivelmente, Felipe Drugovich foi o maior deles.
 
Aos 18 anos, o paranaense teve um domínio na Euroformula que basicamente não foi visto em categoria alguma do mundo nos últimos anos. Foram nada menos que 14 vitórias em 16 corridas e, quando não venceu, chegou em segundo. Um controle absurdo da temporada anotando 405 pontos, 159 a mais que o vice Bent Viscaal.
 
Outros três brasileiros fizeram a temporada completa da Euroformula: Matheus Iorio terminou no quarto lugar, enquanto Guilherme Samaia foi sexto e Christian Hahn fechou em décimo.
Enzo Fittipaldi e Gianluca Petecof (Foto: Prema Powerteam)
Mais um título brasileiro veio na F4 Italiana. Enzo Fittipaldi fez um ano bastante seguro e sempre pareceu ser o piloto a ser batido. Foram sete vitórias em 21 provas com 12 pódios para o piloto de 17 anos. Enzo fez 303 pontos contra 282 do vice Leonardo Lorandi.
 
Na mesma categoria, Gianluca Petecof ficou com o título de novato do ano ao fechar a temporada na quarta colocação. O paulista de 16 anos fez 186 pontos com uma vitória e cinco pódios.
 
A dupla que faz parte do programa de jovens da Ferrari também fez a F4 Alemã. No campeonato vencido pelo alemão Lirim Zendeli, Enzo ficou em terceiro com uma vitória e Gianluca foi o décimo.
 
Caio Collet foi o outro destaque brasileiro na Europa. Aos 16 anos, o paulista sobrou na F4 Francesa e dominou o campeonato quase que de cabo a rabo para ser campeão.
 
Caio anotou 303,5 pontos, sete vitórias e 13 pódios em 21 corridas, ficando impressionantes 66,5 pontos na frente do vice-campeão, o belga Ugo de Wilde.