F1

Treinos mostram que Ferrari pode mais e que força da Mercedes está em Hamilton. Red Bull é peça surpresa

A sexta-feira de treinos livres em Singapura mostrou um cenário interesse do ponto da vista da briga pelo título e deixou alguns pontos sem resposta: a Ferrari se pôs forte, mas deu a entender que pode mais. A Mercedes acompanhou o ritmo com Lewis Hamilton, enquanto a Red Bull assume o papel de elemento surpresa
Warm Up / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
 Kimi Räikkönen (Foto: AFP)

Depois de viver um fim de semana altamente veloz em Monza, a F1 desembarcou em um traçado totalmente oposto, em Singapura. No lugar de longas retas e curvas de grande velocidade, Marina Bay é mais seletivo, tem curvas muito lentas e exige da tração. Então, diante desse cenário, é de se imaginar que a Ferrari tire mais proveito da situação, uma vez que seu carro se adapta melhor a esse tipo de circuito. Dito e feito, Kimi Räikkönen liderou o primeiro dia de treinos livres para a 15ª etapa da temporada e com direito a recorde. O finlandês usou bem os compostos hipermacios para virar 1min38s699. O pneu mais macio da Pirelli é o que melhor gera aderência e se adequa à SF71H, mas a sexta-feira (14) deixou a impressão que a equipe italiana poderia ter apresentado mais se quisesse.
 
Só que os vermelhos chegam para a prova deste domingo sob enorme pressão, especialmente depois da dura derrota sofrida para a Mercedes na Itália, diante de um autódromo lotado. A cobrança maior, na verdade, recai sob os ombros de Sebastian Vettel, devido aos erros decisivos que tem cometido neste ano e, mais uma vez, voltou a se envolver em um equívoco, comprovando o que disse ontem, quando falou que “é seu maior inimigo”. 
Vettel 'beija' muro de Singaura e perde precioso tempo de pista nesta noite de sexta-feira (Foto: Reprodução)
Durante o segundo treino livre – o mais importante do dia, uma vez que replica as condições de classificação e corrida na úmida e noturna Singapura –, Vettel perdeu um tempo precioso de pista depois que bateu na saída da curva 21, danificando o carro e provocando um vazamento de água do radiador. Por conta do incidente, o tetracampeão sequer pode retornar e, assim, não completou uma fase essencial do fim de semana, que é a simulação de corrida. Seb andava com o jogo de hipermacios no momento do acidente e iniciava a avaliação do ritmo de classificação. Ainda que tente minimizar o episódio, o alemão já se colocou em uma situação de pressão logo de cara, por conta do histórico. Agora, tem de mesmo correr atrás e aproveitar o potencial do melhor carro do grid, transformando o equilíbrio dos treinos em resultados no domingo. 
 
A Ferrari seguiu com o seu ritmo consistente com os hipermacios, mas esses compostos não têm grande durabilidade, então o x da questão é entender o comportamento dos ultramacios e até mesmo dos macios. Mas o fato de Sebastian não ter andado muito ainda deixa um ponto de interrogação nos adversários, e isso é algo que os italianos podem tirar vantagem.  
 
A Red Bull, por sua vez, aparece como coringa. Em uma pista que exige da tração, o carro austríaco se dá bem. É verdade que Max Verstappen e Daniel Ricciardo não conseguiram acompanhar o desempenho dos carros italianos e de Lewis Hamilton em ritmo de classificação, mas se mostraram velozes com os ultramacios e nos chamados long runs. Inclusive, superando as duas equipes ponteiras. Verstappen foi muito veloz, mas Ricciardo foi mais constante - inclusive, o australiano chegou a liderar o primeiro treino do dia.
A Red Bull surge como elemento surpresa (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
Quer dizer, a esquadra chefiada por Christian Horner é o elemento surpresa para a corrida, levando em consideração que essa prova tende a ser movimentada, até mesmo sofrendo com a intervenção de safety-car. E a estratégia é o ponto alto dessa Red Bull. 
 
Aí se tem a Mercedes. Sabidamente essa é uma etapa em que os prateados chegam apreensivos. Uma prova é a escolha dos jogos de pneus. A equipe foi a que menos pediu por hipermacios e aposta suas fichas no conjunto ultra/macio. Só que a esquadra de Toto Wolff tem em Hamilton uma arma valiosa, uma vez que Valtteri Bottas parece ser a realidade do time – o finlandês ficou a 0s6 do companheiro de equipe e de Räikkönen. 
 
Ainda que o ritmo de corrida não esteja tão bom quanto pode ser, Hamilton ficou a só 0s011 de Räikkönen, e isso diz muito sobre o que pode acontecer na classificação de amanhã. O W09 tem atualizações, e Lewis parece ter saído melhor com elas. Além disso, o inglês vem observando atentamente os passos do rival alemão – tão perto que quase bateu em Vettel durante o TL2. Na verdade, o #44 precisou fritar os pneus para não atingir o #5 em uma curva mais lenta. O incidente também o fez judiar do jogo novo de hipermacios.
Lewis Hamilton (Foto: Mercedes)
Só que ficou a impressão de que a classificação será mais apertada do que no último ano e que o britânico tem condições de se infiltrar na briga da pole, que agora tem, além de Vettel, um Räikkönen quase mordido.