F1

Renault investe pesado, mas se perde na volta das férias e acaba engolida por pelotão intermediário

A Renault avisou que só pensaria no carro de 2019 ao final da temporada 2018, mas parece que o foco total no bólido deste ano não fez a menor diferença. Antes quarta força consolidada, a equipe francesa andou para trás, foi engolida pelo pelotão intermediário e, hoje, só fecha o ano como quarta força com um milagre
Warm Up / GABRIEL CURTY, de São Paulo
 Nico Hülkenberg (Foto: Renault)
A temporada 2018 tinha tudo para ser o marco da recuperação da Renault desde o retorno ao grid da F1. Acontece que, em poucas semanas, um quarto lugar garantido se transformou em grande dúvida e, principalmente, o desempenho do time preto e amarelo sumiu completamente.
 
A Renault abriu o campeonato com Nico Hülkenberg deixando claro que era a sétima força do grid no Mundial de Pilotos. Basicamente com o alemão carregando nas costas um Carlos Sainz Jr. que não vinha em boa fase, a Renault ficou nada menos que dez vezes no top-8 das primeiras 12 corridas.
 
Estava claro que faltavam ainda alguns ajustes no carro e que o motor francês ainda carecia de um pouco mais de velocidade, mas os resultados estavam aparecendo e, com uma Haas que via seus pilotos abandonarem muitas corridas e uma Force India que chegou a ir à falência, a quarta posição parecia certa.
Nico Hülkenberg e a Renault viviam grande fase na Alemanha (Foto: Renault)
Mas a Renault parecia não crer tanto nisso e estava disposta a investir mais para avançar. E foram dois atos pensando nisso, um já para 2018 e outro para 2019. O primeiro veio com a cabeça em 2019: nada menos que Daniel Ricciardo foi anunciado como companheiro de Nico Hülkenberg para o próximo ano.
 
Naturalmente, a expectativa em cima da Renault ficou ainda maior. Um time de fábrica, orçamento grandioso, carro em evolução e dois pilotos de ponta só poderia dar certo. Aliás, a questão era se os franceses já seriam capazes de buscar a Red Bull em 2019 e entrar no top-3 da F1. Mas isso, hoje, parece bem longe.
 
A Renault regrediu brutalmente depois das férias e isso acompanhou o segundo ato. Pensando em se fortalecer já para 2018, a equipe resolveu abrir mão de desenvolver mais cedo o carro de 2019 e preparou um pacote cheio de atualizações com investimento pesado inclusive no motor. O resultado? O carro piorou quase 100%.
Carlos Sainz sabe que a fase da Renault não é boa (Foto: Renault)
A volta das férias da Renault foi simplesmente tenebrosa. Hülkenberg, que carregava a equipe nas costas, só marcou um pontinho desde então, enquanto Sainz anotou outros nove. Ou seja: em cinco corridas, a dupla marcou a mesma quantidade de tentos que Hülk obteve no GP da Alemanha, o penúltimo antes da pausa.
 
E não é simplesmente porque seus pilotos estão em má fase ou porque estão dando azar, não. A performance da Renault afundou. Hoje, com todas as complicações, Force India e Haas têm carros bem superiores ao da Renault e, com alguma competência, irão tirar os franceses do G4.
 
Alguns momentos explicam bem o terrível momento da Renault mesmo com assoalho novo, motor atualizado e outras novidades. Talvez o mais simbólico tenha sido na Rússia, quando a equipe decidiu não participar do Q2 por entender que não tinha chances de passar ao Q3 mesmo com três carros já automaticamente eliminados por punições que carregavam.
 
Isso tudo somado ao fato de que a Sauber já venceu a 'F1 B' com Charles Leclerc em Sóchi e a Toro Rosso colocou Brendon Hartley e Pierre Gasly no top-7 do grid em Suzuka, mostram que a Renault, pós-férias, só tem conseguido ser mais competente que as quase inofensivas Williams e McLaren.
 
É claro que isso não quer dizer que a Renault estará afundada em 2019 ou que Ricciardo tomou uma decisão equivocada para seu futuro, mas é bastante preocupante que a equipe, investindo o que investiu, tenha apenas andado para trás e, quando pensava que chegaria no top-3, acabou engolida pelo resto do grid.