F1

Na Garagem: Vettel bate gigantes da F1 e faz história ao vencer com Toro Rosso em Monza

Em uma F1 dominada pelas poderosas, uma coadjuvante como a Toro Rosso teve a rara chance de brilhar. A única vitória da equipe de Faenza veio exatos dez anos atrás, graças à atuação brilhante de Sebastian Vettel em Monza sob chuva
Warm Up / VITOR FAZIO, de Porto Alegre
 Sebastian Vettel venceu pela primeira vez há dez anos, em Monza (Foto: Red Bull Content Pool)
A F1 não tem uma história recheada de vitórias de Davi contra Golias. Quando acontece, vira história de imediato – e foi isso que acontece com Sebastian Vettel exatos dez anos atrás, em 14 de setembro de 2008. Correndo por uma Toro Rosso que celebraria um oitavo lugar, o alemão foi lá e conquistou a celebre vitória no GP da Itália sob chuva.
 
Para entender a dimensão do feito de Vettel, é preciso ver o contexto. O campeonato era monopolizado por Ferrari e McLaren, representadas por Felipe Massa e Lewis Hamilton na briga pelo título. Na altura do GP da Itália, Sebastian aparecia em 12º no Mundial, enquanto a Toro Rosso era oitava – ou antepenúltima – entre equipes. Em suma, um dia de pontos era um dia feliz para Vettel e Sébastien Bourdais, então companheiro de equipe.
 
Até que aquele belo fim de semana em Monza chegou. A chuva esteve presente desde sexta-feira, resultando em tempo mínimo de pista seca e tempos de volta inesperados – Adrian Sutil liderou o primeiro treino livre com a Force India, enquanto Timo Glock liderou o terceiro de Toyota. No segundo, o resultado ‘normal’ veio com Kimi Räikkönen em primeiro com a Ferrari. A Toro Rosso mostrou bom desempenho com piso molhado, apesar de não pontear.
Sebastian Vettel venceu pela primeira vez na carreira em Monza, na Itália, em 2008 (Foto: Reprodução)
Isso aconteceu no sábado de tarde, ainda molhado. Depois de um Q1 liderado por Heikki Kovalainen, Vettel virou a estrela: em uma briga apertada entre os pilotos de McLaren e Toro Rosso, Davi teve a primeira vitória sobre Golias. Mark Webber largaria em terceiro, enquanto Bourdais completava o sábado dos sonhos ao conseguir o quarto melhor tempo. Para melhorar a vida do futuro tetracampeão, ameaças como Räikkönen e Hamilton nem apareciam no top-10, caindo no Q2. Massa era o mais próximo, mas em sexto.
 
A sorte seguiu se repetindo no domingo. São Pedro voltou a mandar chuva, mas em quantidade razoável. O GP da Itália não seria um caos aquático, mas teria água suficiente para favorecer uma Toro Rosso que parecia muito bem acertada para tais condições.
 
Pena que a sorte só poderia favorecer um dos dois pilotos. O carro de Bourdais, na segunda fila, morreu no grid. Além de largar em último, a Toro Rosso só conseguiu fazer o #14 funcionar normalmente após uma volta.
 
A largada aconteceu atrás do safety-car, o que representava mais um triunfo para Vettel. A liderança, ao menos no começo, estava garantida. Quando a pista foi liberada, uma surpresa: Sebastian era capaz de abrir vantagem sobre Kovalainen, que enfrentava dificuldades com o pneu de chuva forte. Começava a ficar claro que a liderança não era pura obra do acaso.
O pódio do GP da Itália de 2008 foi formado por Vettel, Kovalainen e Kubica (Foto: BMW)
As voltas passavam e a impressão era de que o único verdadeiro rival de Vettel era o clima, seja por chuva demais causando um erro ou chuva de menos expondo pontos fracos da Toro Rosso. O clima de fato mudou, mas na medida certa para Seb: a chuva enfraqueceu, virando garoa na segunda metade. Por ser uma mudança sutil, deu tempo para avaliar a situação e apostar nos intermediários sem muito risco.
 
Sem muitas surpresas, Vettel cruzou a linha de chegada com 12s5 de vantagem sobre Kovalainen, que também teve uma prova pouco agitada. O pódio ficou completo com Robert Kubica, que fez uma bela recuperação após largar em 11º e apostar em uma parada a menos.
 
"Foi uma corrida fantástica, um fim de semana fantástico com a pole e a estratégia. O pódio foi incrível e esse é o melhor dia da minha vida. Nunca vou esquecer essa sensação, é algo inacreditável”, comentou Vettel logo após a corrida.
 
O resultado foi chocante. De uma para outra, aquele piloto que já parecia promissor deu um passo adiante. Em uma F1 sempre dominada pelas poderosas, uma coadjuvante pôde brilhar. Nos anos seguintes, Vettel teria a chance de conquistar quatro títulos e entrar para a história. Se isso tudo pôde acontecer, foi por causa daquela tarde chuvosa de domingo no norte da Itália.