F1

Mercedes destaca lado estudante aplicado e faz Ocon 'ganhar' transmissão de TV no GP da Austrália

Esteban Ocon foi o piloto que ficou com o rosto mais exposto pela transmissão da TV durante o GP da Austrália que abriu a temporada da F1. Sem vaga após um longo imbróglio, Ocon não desgrudou do chefe Toto Wolff numa movimentação da Mercedes que parece coordenada: deixar o francês sempre às vistas e com imagem de aluno aplicado

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
Se você assistiu o GP da Austrália, viu muitas vezes o rosto de Esteban Ocon. Viu quando a câmera estava interessada em mostrá-lo, o que aconteceu muitas vezes, e quando a câmera decidia ir até Toto Wolff e pegava o francês quase que como efeito colateral. Wolff, o diretor-executivo da Mercedes e que, diferente do que acontece na Red Bull, também assume a função de chefe da academia de jovens pilotos, está decidido a não deixar que você esqueça Ocon nem por um segundo. 
 
O leitor que acabou de passar por este parágrafo inicial de análise normalmente vai ser jogado pela cabeça a duas opiniões iniciais. Uma é que, sim, você notou Esteban na sua tela mais que está acostumado; a outra é que há um exagero e que o ex-Manor e Force India foi visto da mesma forma que são vistos tantos outros jovens pilotos em busca de um espaço. 
 
OK, tudo normal, jogo limpo. A questão é como Ocon apareceu. Em 2015, quando Pascal Wehrlein era o próximo da fila da Mercedes, apareceu muitas vezes durante o ano. O mesmo podia ser dito de George Russell, enquanto traçava o caminho de campeão da GP3 em 2017 e da F2 em 2018. Estavam ali para que vissem e fossem vistos, uma questão tanto de reafirmar importância quanto de aprendizagem dos jovens.
Esteban Ocon (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
E, sim, Ocon é o piloto reserva e vai aparecer em todas as etapas, muito provavelmente. Mas, novamente, tudo parte da ordem das imagens. Wolff, que muito se mexe durante a corrida e que já declarou outras vezes que tem de analisar vários pontos para dois pilotos e carros, questões estratégicas e supervisão geral de, basicamente, duas garagens. É puxado e sobra pouco tempo para ciceronear alguém.
 
Por isso impressionou que Ocon, das primeiras às últimas voltas do GP da Austrália, aparecesse sempre ao lado de Wolff. Não apenas ao lado: Ocon aparecia conversando com o chefão durante toda a extensão da corrida, como estivesse numa sala de aula prática. Diferente de outros jovens, que costumam aparecer durante a corrida da mesma forma que são mostrados os convidados, meros espectadores da prova, Ocon agia e era evidenciado como membro da equipe. 
 
Com todos os pilotos de capacete, óbvio, o rosto que mais apareceu durante a estreia da F1 foi de Ocon. Ninguém na F1 duvida da capacidade do francês de Évreaux, que ainda tem 22 anos e três temporadas de experiência na F1. Que Ocon foi uma vítima da ocasião para ficar fora do grid em 2019 é evidente, algo quase que indisputável.
 
Wolff e a Mercedes agora pesam a mão. Querem não apenas lembrar o mundo, patrocinadores em potencial, equipes e fãs que Ocon está ali, existe e é apto a pegar o volante de qualquer time a qualquer momento. Querem mostrar também que é um aluno aplicado, que se interessa por outros aspectos da profissão que não apenas sentar no cockpit e acelerar o carro. 
Esteban Ocon (Foto: Mercedes)
Fora dos carros para ser mostrado como uma resposta a alguém que precise, Ocon saiu da corrida valorizado enquanto Robert Kubica, por exemplo, andava longe de qualquer outro piloto, inclusive do companheiro Russell. Kubica já reclama, chia, está desconfortável e a Williams é uma equipe que precisa de respostas rápidas. Que essa necessidade chegue aos pilotos, não custa muito. Enquanto Pierre Gasly, francês como Ocon, se vê preso no 11º lugar sem conseguir ultrapassar Daniil Kvyat na estreia pela Red Bull, Ocon vê a balança trabalhar a seu favor na comparação. Sobra na cabeça uma lista de melhores momentos do estudioso.
 
Enfim, a Mercedes está decidida a vender seu peixe. E Ocon é o peixe de mais fácil oferta no mercado.