F1

McLaren vê “bomba relógio” da F1 explodindo e cobra ação do Liberty: “São os donos do esporte”

Diretor da McLaren, Zak Brown cobrou ação do Liberty Media para garantir um futuro saudável para a F1. Dirigente considerou que o Mundial é uma bomba relógio que começou a explodir
Warm Up / Redação GP, de São Paulo
 A largada do GP da Itália (Foto: AFP)
Zak Brown acredita que a F1 enfrenta um momento decisivo para seu futuro. Na visão do diretor da McLaren, a “bomba relógio” que é o Mundial começou a explodir e, por isso, o Liberty Media precisa agir para reconstruir o esporte.
 
No entender de Brown, a divisão da F1 entre os times maiores e o resto, além das dificuldades financeiras que culminaram com a venda da Force India e até mesmo as dificuldades de Esteban Ocon para conseguir uma colocação são evidências claras de que o Liberty Media precisa agir.
Zak Brown vê a F1 como bomba relógio que começa a explodir (Foto: McLaren)
“Nós todos vimos isso se aproximando, e não invejo o que o Liberty herdou, porque isso começou há um tempo”, disse Brown à publicação inglesa ‘Autosport’. “Bernie [Ecclestone] tinha controle disso e estava mantendo tudo no lugar, mas era como uma bomba relógio e agora algumas coisas explodiram”, comentou.
 
De acordo com Brown, a crise das hipotecas e financeira comprovam sua teoria, já que, para ele, muitas coisas melhoraram depois de todos os problemas. 
 
“Eu disse [para o Liberty], e não é legal, mas, às vezes, você precisa que as coisas de fato quebrem para poder consertar”, ponderou. “A crise das hipotecas e a crise financeira são bons exemplos. O setor bancário está muito melhor hoje em dia por causa da crise financeira. E todo mundo na indústria financeira sabia que eventualmente aquilo ia quebrar”, seguiu.
 
“Infelizmente, algumas dessas coisas que quebraram eram necessárias para podermos apertar reset”, afirmou. “Eu nunca pensei que a F1 é grande demais para quebrar. Mas acho que a indústria como um todo tem a arrogância de pensar que tudo vai se resolver, sempre foi assim. Não posso nem contar quantas vezes ‘isso sempre vai se resolver’”, recordou.
 
“O [banco de investimentos] Lehman Brothers afundou e foi isso que começou a arrumar as coisas [no setor financeiro]. Seja uma equipe de corrida ou um piloto que deveria estar na vaga que vai acabar na rua, são dessas coisas que precisamos para prestarmos atenção”, admitiu.
 
Apesar de a mudança no regulamento de motores para 2021 parecer improvável, já que nenhum novo fabricante se interessou, Brown torce para que o teto orçamentário e um novo regulamento para os carros entre em vigor.
 
“Precisam fazer isso neste ano e nós temos falado disso já faz muito tempo. Eles têm todas as ideias certas, já tiveram toda a contribuição das equipes, eles sabem onde está a resistência ― só precisam fazer. Eles são os donos do esporte”, defendeu. “Apesar de coisas que eles não podem fazer em 2019 e 2020 por causa da governança, é uma folha de papel em branco para 2021 e eles precisam fazer o que disseram que fariam. E precisam ser duros nisso. Se as pessoas não gostarem, elas podem deixar o esporte”, disparou.
 
“Eu acredito que o Liberty quer fazer o melhor para o esporte, mas esses times que têm a capacidade de gastar mais do que o teto orçamentário vão ver isso como uma desvantagem”, considerou. “Mas eles deveriam ter confiança o suficiente em suas equipes para que na sejam tão dependentes de dinheiro para comprar seu sucesso”, concluiu.