F1

De volta à F1 após 34 anos, Alfa Romeo apresenta C38 e mantém pintura inspirada na Sauber para 2019

Herdeira da Sauber, a Alfa Romeo volta à cena da F1 como equipe depois de ter deixado o esporte ao fim de 1985. Como 'equipe B' da Ferrari, a escuderia apresentou seu carro para 2019, o C38, com o objetivo de brigar no topo do pelotão intermediário. Para tal, tem no campeão Kimi Räikkönen e o novato Antonio Giovinazzi uma dupla que alia experiência e juventude

Grande Prêmio / FERNANDO SILVA, de Sumaré
Última equipe a apresentar oficialmente seu carro para a temporada 2019, a Alfa Romeo mostrou ao mundo seu novo C38 nesta manhã de segunda-feira (18), em Barcelona, pouco antes da abertura dos testes de inverno da F1. Na verdade, a equipe italiana, que volta ao grid de forma oficial depois de ter deixado o esporte ao fim de 1985, havia exibido seu novo modelo durante uma sessão de filmagem e shakedown em Fiorano, casa da Ferrari, apresentando uma pintura diferente e inspirada no Dia de São Valentim (Dia dos Namorados em boa parte do mundo).
 
O nome do carro e também a pintura são uma herança da Sauber, que ainda mantém seu nome na lateral do novo C38, que vai ter ao volante o jovem Antonio Giovinazzi e o campeão mundial Kimi Räikkönen.

A Alfa Romeo regressa ao Mundial de F1 em substituição à Sauber, mas mantém as mesmas instalações em Hinwil. A ligação com a Fiat, a chegada de Räikkönen e a promoção de Giovinazzi ao posto de titular apenas ratifica a condição da Alfa como equipe B da Ferrari. E o shakedown realizado na última quinta-feira em Fiorano é mais uma prova disso. A imprensa italiana diz que o teste serviu para ter uma primeira impressão de motor e câmbio construídos pela Ferrari e fornecidos à Alfa Romeo.
Eis o novo Alfa Romeo C38 (Foto: Alfa Romeo Racing)
Bem diferente do visual que alinhou pela última vez na F1, em 1985, quando o verde predominava — fruto das cores da Benetton, sua patrocinadora à época —, o novo carro vem com uma pintura parecida com a adotada no ano passado, ainda enquanto Sauber, dando ênfase justamente à lendária marca da Alfa Romeo, predominando o vermelho e o branco. O layout surpreendente apresentado no dia de filmagem serviu apenas para decorar o carro para o Dia dos Namorados, além de camuflar novidades aerodinâmicas.
 
No âmbito esportivo, a Alfa Romeo volta à F1 com um grande aporte financeiro — comenta-se no paddock que os investimentos possam passar dos US$ 250 milhões (ou R$ 925 milhões) —, o que sempre abre maiores possibilidades no esporte. Claro que lutar pelas primeiras colocações parece fora de questão no momento, mas um objetivo realista, levando em conta a boa performance na temporada passada, é lutar pela ponta no pelotão intermediário, brigando diretamente com Renault, Racing Point, Haas e, talvez, a McLaren.
 
Para cumprir com os objetivos, a Alfa Romeo traz uma dupla que une o velho e bom mix de experiência e juventude. Räikkönen, piloto mais velho (39 anos) e experiente da F1, vai para sua 17ª temporada prestes a alcançar a marca dos 300 GPs — já foram 292 no currículo. O carismático ‘Homem de Gelo’ vem de um último ano bem razoável pela Ferrari, voltou a vencer, foi competitivo na luta contra Sebastian Vettel e mostrou que ainda tem muita lenha para queimar.

A aposta da Alfa Romeo — e também da Ferrari — em Antonio Giovinazzi se justifica. O piloto de 25 anos vai voltar a colocar a bandeira da Itália de forma integral em uma temporada da F1, o que não acontece desde 2011, quando Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi representaram o país no Mundial. Depois, o próprio Giovinazzi chegou a disputar duas corridas, no início de 2017, como substituto de Pascal Wehrlein, então lesionado, no carro da Sauber. Apresentou uma boa performance na Austrália, onde terminou em 12º, e foi pavoroso na corrida seguinte, em Xangai, onde conseguiu a ‘proeza’ de rodar e bater duas vezes na reta dos boxes.

 
 
Nesse meio tempo, o vice-campeão da GP2 em 2016 ganhou experiência na F1 como terceiro piloto da Haas, participou de testes com a Sauber e a Ferrari no ano passado, disputou as 24 Horas de Le Mans pela AF Corse — equipe vinculada à Ferrari na classe LMGTE-Pro — e chegou até a flertar com a Fórmula E.
 
Agora, finalmente efetivado pela Alfa Romeo, Giovinazzi tem a chance de ouro para comprovar que merece estar na F1. E vai ser ao lado de Räikkönen que Antonio terá a oportunidade de aprender com um campeão do mundo para progredir na sua carreira no esporte.

O GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ a pré-temporada da F1 em Barcelona com os repórteres Eric Calduch, Evelyn Guimarães e Vitor Fazio, e o fotógrafo Xavi Bonilla. Acompanhe tudo aqui.