F1

De saída, Vandoorne deixa futuro na F1 em aberto, mas foca em “fazer o melhor trabalho na Fórmula E”

Dispensado pela McLaren para dar lugar a Lando Norris, Stoffel Vandoorne vai defender a HWA no grid da Fórmula E a partir de 15 de dezembro, na Arábia Saudita. O belga evitou falar sobre um retorno à F1, mas seu foco, desde já, passa a ser a categoria dos carros elétricos
Warm Up, de São Paulo / FERNANDO SILVA, de Interlagos
 Stoffel Vandoorne (Foto: McLaren)

Há quase três anos, Stoffel Vandoorne falava no hospitality center da McLaren, em Interlagos, com os olhos voltados para o futuro. Mais precisamente em 2017, quando tinha em mente que seria promovido ao posto de titular da equipe britânica. De fato, foi o que aconteceu. Mas desde então, o belga sofreu com a falta de performance dos carros construídos em Woking, seja com motor Honda ou Renault, e ainda ficou à sombra de Fernando Alonso. Ao fim de duas temporadas bem frustrantes, Vandoorne foi dispensado para dar lugar ao prodígio britânico Lando Norris, um dos estreantes de 2019.
 
Na mesma Interlagos onde falou com entusiasmo sobre ser titular da McLaren, Vandoorne expressa dúvida sobre seu retorno à F1. Contratado pela HWA, braço da Mercedes para a temporada 2018/19 da FE, o belga avisa que, antes mesmo de encerrar seu ciclo na McLaren, está totalmente focado na categoria dos carros elétricos. Um retorno ao topo do automobilismo mundial não está descartado, mas não é algo que o piloto pensa no momento.
 
“É um pouco difícil dizer. Estou começando um novo desafio, sobre o qual estou muito ansioso, junto com a HWA na Fórmula E. Não vou ter uma pausa neste inverno, então estou caminhando para uma sequência... na minha mente, vou fazer o melhor trabalho lá. Então, seja o que for acontecer no futuro, é difícil dizer sobre isso no momento”, comentou o dono do carro #2 da McLaren durante entrevista coletiva nesta gelada quinta-feira (8) em São Paulo.
Stoffel Vandoorne falou em coletiva de imprensa nesta quinta-feira em Interlagos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Vandoorne começou a perder espaço na McLaren com a escalada da boa performance de Norris, que luta pelo título da F2 com George Russell e Alexander Albon. Em contrapartida, a falta de resultados convincentes de Vandoorne, aliado ao processo contínuo de reestruturação em Woking, levou a cúpula chefiada por Zak Brown e Gil de Ferran a tomar a decisão. A McLaren vai formar uma das duplas mais jovens do grid com Carlos Sainz e Norris em 2019.
 
“Você sabe, o mercado de pilotos neste verão foi um pouco louco e ninguém esperava o que aconteceu. Coisas como essa podem acontecer no futuro e quem sabe o que vai acontecer. Mas, por agora, estou simplesmente focado na Fórmula E e em fazer o melhor trabalho lá”, disse Vandoorne, em tom de despedida da F1.
 
O balanço que Stoffel faz da sua passagem pela McLaren não é dos mais animadores. Seu melhor resultado foram dois sétimos lugares, nos GPs de Singapura e da Malásia do ano passado. Neste ano, o belga foi oitavo lugar no Bahrein — onde faturou o primeiro ponto da sua carreira, em 2016 —, e também no México. Ao todo, o piloto soma 12 pontos no Mundial de Construtores, contra 50 do companheiro de equipe, ninguém menos que Fernando Alonso.
 
“Definitivamente, não foram as duas melhores temporadas. Tive um ótimo momento com a McLaren desde as categorias de base e eles me deram todo o apoio para dar o passo rumo à F1. Mas os dois anos que eu tive na F1 foram bons em termos de experiência, mas preferiria lutar mais acima”, declarou.
 
“Acho que o timing em que entrei na F1 foi correto, acho que foi com a equipe correta, com o apoio certo, mas acho que a competitividade nesses dois anos não foi legal. Seria mais agradável lutar um pouco mais acima”, complementou o futuro ex-piloto da F1 em Interlagos.
 
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